1. EDITORIAL 16.10.13

"NUVENS NA POLTICA" - CARLOS JOS MARQUES, DIRETOR EDITORIAL 

O lendrio cacique mineiro Magalhes Pinto costumava se referir  poltica como uma nuvem que passa em constante transformao. Voc olha e ela est de um jeito. Olha de novo e ela j mudou, dizia. E eis que, a confirmar os desgnios da velha raposa, mais uma lufada de ventos extratropicais  no captados pela meteorologia partidria  trouxe na semana passada nuvens carregadas para o eixo do poder no qual, h quase 20 anos, PT e PSDB se alternam para administrar o condomnio. O fenmeno que vira o clima eleitoral tem cara e comportamento conhecidos. A ambientalista Marina Silva e o desenvolvimentista Eduardo Campos se uniram para apresentar o que pode ser entendido como uma terceira via no jogo da sucesso. Sobre o ninho tucano e nas hostes petistas formou-se literalmente uma tempestade, com os correligionrios revendo estratgias e contas de apoios das respectivas bancadas. A aliana, por si s, muda toda a dinmica pr-campanha e desloca a disputa para um terreno de probabilidades menos previsveis. Marina, que carrega na bagagem mais de 20 milhes de votos das ltimas urnas e ocupava at aqui a segunda posio nas pesquisas de inteno, traz para a dobradinha um pblico desejoso de mudanas radicais do sistema. Foi ela, afinal, quem melhor capitalizou os anseios refletidos nas recentes manifestaes de rua. Campos, por sua vez, hegemnico em alguns currais eleitorais do Nordeste, com mais de 80% de aprovao no governo estadual de Pernambuco e com uma fora de convencimento capaz at de aplicar uma derrota inesperada a Lula  como ocorreu no ano passado com o seu apadrinhado levando a Prefeitura do Recife , agrega  futura chapa a imagem de eficincia de gesto e a simpatia de um empresariado disposto a financiar alternativas de poder. No h ainda,  claro, uma plataforma de governo definida e endossada pelos dois, dado o curto espao de tempo desde o anncio da parceria. Da mesma forma que no deve existir, e no  de se esperar, uma soma aritmtica simples e direta de seus respectivos capitais polticos. Ao contrrio. Marina, por exemplo, ter que abrandar os nimos e conter a insatisfao na base, formada em sua maioria por puristas desejosos de que ela se lanasse numa candidatura independente. Campos, por sua vez, pode enfrentar desconfiana do mercado ao abraar teses conservadoras de gosto da nova aliada. Ambos ex-ministros de Lula, com trajetrias e vises visivelmente distintas em vrios pontos, Marina e Campos passam a exercitar o trabalho da convergncia de ideias em prol de um objetivo comum: quebrar a polarizao de comando no Planalto. No horizonte, o que se pode vislumbrar desde j  uma eleio mergulhando em um novo plano, mais rico de ideias e possibilidades.

